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A Vergonha Tóxica



Meu Nome é Vergonha Tóxica

(Meditação de Leo Booth adaptada por Jonh Bradshaw - no livro Volta ao Lar)


Quando você foi concebido eu estava lá

Na epinefrina da vergonha da sua mãe

Você me sentia no fluido do útero materno

Eu cheguei antes de você aprender a falar

Antes de você compreender

Antes que pudesse saber qualquer coisa.

Cheguei quando você aprendia a andar

Quando estava desprotegido e exposto

Quando era vulnerável e carente

Antes de ter suas fronteiras

MEU NOME É VERGONHA TÓXICA


Cheguei quando você era mágico

Antes que percebesse minha presença

Eu separei sua alma

Eu apunhalei seu coração

Eu o fiz sentir-se falho e deficiente

Eu trouxe comigo sentimentos de desconfiança, feiúra,

estupidez, dúvida, de não valer nada,

de inferioridade e de inutilidade.

Eu o fiz sentir-se diferente

Eu disse que havia alguma coisa errada com você

Eu conspurquei sua semelhança com Deus

MEU NOME É VERGONHA TÓXICA


Eu existia antes da consciência

Antes da culpa

Antes da moralidade

Eu sou a emoção mestra

Sou a voz interior que murmura palavras de condenação

Sou o estremecimento interior que percorre seu corpo sem

Nenhuma preparação mental.

MEU NOME É VERGONHA TÓXICA


Eu vivo escondida

Nas margens úmidas e profundas das trevas da depressão e do

desespero

Sempre o apanho desprevenido e entro pela porta dos fundos

Não convidado, indesejável

O primeiro a chegar

Eu estava lá no começo dos tempos

Com o Pai Adão, a Mãe Eva

Irmão Caim

Eu estava na Torre de Babel, na Matança dos Inocentes

MEU NOME É VERGONHA TÓXICA


Eu venho de responsáveis “desavergonhados”, do abandono, do

ridículo, do abuso, da negligência — dos sistemas perfeccionistas

Recebo minha força da intensidade chocante da raiva dos pais

Das frases cruéis dos irmãos

Das humilhações zombeteiras das outras crianças

Do reflexo desajeitado nos espelhos

Do contato pegajoso e assustador

Da palmada, do beliscão, do gesto brusco que mata a confiança

Sou intensificado pela Cultura sexista, racista

Pela condenação hipócrita dos fanáticos religiosos

Pelos temores e pressões da educação

Pela hipocrisia dos políticos

Pela vergonha multigenerativa dos sistemas familiares

disfuncionais.

MEU NOME É VERGONHA TÓXICA


Eu posso transformar uma mulher, um judeu, um preto, um gay,

um oriental, uma criança preciosa em

Uma cadela, um porco, um negro sujo, um pervertido, um japa,

um pequeno egoísta filho da mãe.

Eu trago uma dor que é crônica

Uma dor que nunca acaba

Sou o caçador que o persegue noite e dia

Todos os dias, em todos os lugares

Não tenho fronteiras

Você tenta se esconder de mim

Mas não pode

Porque eu vivo dentro de você

Eu o faço sentir que a esperança não existe

Que não há saída

MEU NOME É VERGONHA TÓXICA


Minha dor é tão insuportável que você precisa passá-la para os

outros através do controle, do perfeccionismo, do desprezo, da

crítica, da culpa, da inveja, do julgamento, do poder e da raiva

Minha dor é tão intensa

Que você tem de me disfarçar com vícios, papéis rígidos,

repetições de fatos dolorosos e defesas inconscientes do ego

Minha dor é tão intensa

Que você tem de aliviá-la e não mais me sentir.

Eu o convenci de que fui embora — que eu não existo — você sentiu a ausência, o vazio.

MEU NOME É VERGONHA TÓXICA


Eu sou o centro vital da sua code pendência

Eu sou a falência espiritual

A lógica do absurdo

A compulsão repetitiva

Eu sou o crime, a violência, o incesto, o estupro

Sou o abismo voraz que alimenta todos os vícios

Sou a insaciabilidade e o desejo carnal

Sou Ashaverus o Judeu Errante, o Holandês Voador de Wagner,

o homem do submundo de Dostoievski, o sedutor de Kierkegaard,

o Fausto de Goethe

Eu transformo quem você é no que faz e no que possui

Eu assassino sua alma e você me passa adiante para as gerações futuras

MEU NOME É VERGONHA TÓXICA


-

Esta meditação é um resumo dos modos pelos os quais a criança maravilha pode ser ferida. A perda do Eu Sou é a falência espiritual. A criança maravilha é abandonada, fica sozinha. A criança continua a viver no seu tormento, sofrendo passivamente ou revidando, repetindo o tormento nos outros, nela mesma, projetando-se e se expressando apenas da forma que sabe. Recuperar essa criança é o primeiro estágio da nossa jornada de volta ao lar.

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